Retorna ao menu de Músicas Eruditas

MOZART, Wolfgang Amadeus

     Mozart talvez seja o mais popular dos músicos eruditos. Um verdadeiro gênio que, não obstante todas as dificuldades que atravessou em seus poucos anos de existência física, criou composições elegres que exaltam a vida. Uma ótima maneira de definir sua obra é a célebre sentença que diz que “quando os anjos tocam para Deus, eles tocam Bach; mas, quando tocam para seu próprio prazer, tocam Mozart”.

     Invariavelmente a palavra “gênio” acompanha qualquer comentário sobre Mozart. Diz-se que seu primeiro concerto para cravo foi composto aos cinco anos, época em que começou a excursionar pela Europa com seu pai, Leopold, e sua irmã, cinco anos mais velha, Nännerl. “Por que ficar à toa em Salzburgo, quando tenho um milagre a mostrar ao mundo?”, perguntava-se Leopold, segundo mestre-de-capela em sua cidade, referindo-se ao filho.

     Joannes Chrysostomus Wofgangus Theophilus, que ficaria conhecido como Wolfgang Amadeus Mozart, nasceu em Salzburgo, na Áustria, em 27 de janeiro de 1756. Conta-se que num domingo, ao voltar da missa com o amigo trompetista Andreas Schachtner, Leopold encontra o filho, todo manchado de tinta, a rabiscar furiosamente suas folhas de partitura. Quando ia repreendê-lo, percebeu que o menino havia composto um concerto para cravo. “Mas isso não é muito difícil de interpretar?”, pergunta o pai. Mozart responde que não e senta-se imediatamenet ao piano para demonstrar. Em outra ocasião, Leopold e Schachtner tentavam interpretar um trio a dois, quando Mozart pediu para participar, dizendo que para ser segundo violino não precisava aprender nada. E provou o que dizia.

     Mozart jamais foi à escola ou teve outro professor que não o próprio pai. Com apenas sete anos já compõe e toca cravo, órgão e violino. Já havia passado por Viena e tocado para o Imperador Francisco I, que o chamou de pequeno mágico, e no Palácio de versalhes, em Paris. Em abril de 1764 a família segue para Londres, onde Mozart compõe sua primeira sinfonia. É neste período que, influenciado por Johann Christian Bach (filho de Johann Sebastian Bach), Mozart se apaixona pela ópera italiana.

     Entre meados de 1765 e final de 1766, os Mozart atravessam a Europa: Inglaterra, França, Bélgica, Holanda. Suíça e Alemanha. Em 1768, já de volta a Viena, compõe sua primeira ópera bufa, La Finta Semplice, aos 12 anos. No ano seguinte faz sucesso pela Itália. Na Capela Sistina, Mozart ouve um dos corais mais célebres da Europa, o Miserere, de Allegri. A composição era guardada em segredo e os próprios cantores eram proibidos de transcrevê-la sob pena de excomunhão. Com apenas uma audição, Mozart memoriza as nove vozes e as coloca no papel. O Papa parece não se incomodar e ainda lhe concede o título de Cavaleiro da Ordem da Espora de Ouro.

     Aos 16 anos, Mozart já havia composto mais de 200 obras. Em 1771, Salzburgo torna-se definitivamente um lugar impróprio para os Mozart. O destino será Viena, mas antes disso, Mozart sofre algumas provações. Aos 22 anos, em Mannheim, apaixona-se por Aloysia Weber, a mais velha de quatro irmãs, filha de um pobre contra-regra de teatro. Leopold, precavido, manda-o acompanhar a mãe em uma viagem a Paris. Além de encontrar poucos salões abertos ao seu trabalho, Mozart perde a mãe, que repentinamente adoece e morre. Na volta a Salzburgo, passa por Mannheim, mas não encontra mais os Weber. Em Munique, Aloysia, empregada e com um bom salário, mostra que Mozart não tem condições de casar com ela. Um ano depois, dá o golpe de misericórdia, casando-se com Joseph Lange, pintor e ator.

     Fascinado pelo mito do eterno amante, Mozart compõe e experimenta a vida amorosa, incluindo em sua galeria de conquistas sua prima Bäsle. Em 1781, muda-se para Viena e retoma contato com a família Weber. O pai das meninas morrera e a mãe trata de enredar Mozart com a terceira filha, Constanze, com quem se casaria em agosto do ano seguinte. Ficaram juntos por nove anos e meio, até a morte de Mozart, que aconteceu nas primeiras horas do dia 5 de dezembro de 1791. Ele tinha apenas 35 anos, mas muitos consideram um verdadeiro milagre ele ter chegado a esta idade, já que, com sua vida errante, tivera as piores doenças daquela época.

     Deixou 626 peças catalogadas por Köchel (o famoso K que acompanha todos os seus títulos). Diz-se que somente um cachorro acompanhou seu enterro, feito como indigente em uma cova comum. A teoria de que Salieri, que era Kapellmeister da Corte em Viena quando Mozart por lá chegou, o teria envenenado ganhou corpo na época e foi reacendida quando em 1823, já aos 70 anos, Salieri tenta o suicídio e diz ter assassinado Mozart.

DICA! Assista Amadeus, de Milos Forman, ganhador de 8 Oscar, inclusive o de melhor filme. Trata-se de uma adaptação da peça de Peter Shaffer, criticada por alterar fatos históricos ou no mínimo controversos sobre a vida de Mozart. A história cria antipatia por Salieri, mostrado como um invejoso que teria envenenado Mozart.

(Re)Conheça trechos de três composições de Mozart

 

Página principal